domingo, 30 de outubro de 2011
 

Noruega lidera 'REDD'


O programa de REDD para a Redução de Emissões de CO2 por Desmatamento e Degradação (REDD; ver também na pagina 20) é um mecanismo que está sendo negociado no âmbito da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU. A intenção é oferecer incentivos financeiros aos países em desenvolvimento para preservar suas florestas em pé e conservar o carbono armazenado neles combatendo, desta maneira, as mudanças climáticas. O REDD+ vai mais longe, incentivando o manejo florestal sustentável, ajudando a preservar a biodiversidade, e proporcionando meios de subsistência para milhões de pessoas. Uma das várias iniciativas multilaterais que oferecem suporte para REDD é o Programa UN-REDD, o maior doador é a Noruega. A TUNZA conversou com Erik Solheim- Ministro do Meio Ambiente da Noruega e da Campeã da Terra do PNUMA- sobre as razões pelas quais o seu país está à frente, quais são os resultados alcançados até o momento e suas esperanças para o futuro.

TUNZA: Você poderia nos dizer por que a Noruega está apoiando a iniciativa REDD/REDD+, e como?
ES: As florestas tropicais estão desaparecendo em um ritmo alarmante - uma área do tamanho da Inglaterra a cada ano. A maioria das florestas tropicais do mundo está nos países com necessidade de crescimento econômico. Uma maneira fácil de obter dinheiro rapidamente é através do desmatamento, mesmo que as conseqüências da destruição da floresta sejam enormes. Globalmente, o desmatamento representa quase um sexto de todas as emissões de gases de efeito estufa provocando graves efeitos globais sobre o clima e o meio ambiente, tanto a nível regional quanto a local. Igualmente importante: as milhões de pessoas mais pobres do mundo que dependem das florestas tropicais para sua sobrevivência. Estas florestas contêm metade das espécies de plantas e animais do mundo. A menos que a conservação contribua para um maior rendimento do que outros usos devastadores, a destruição continuará. Um dos feitos mais importantes da Noruega foi disponibilizar verbas. Decidimos investir até 500 milhões de dólares por ano em atividades que reduzam as mudanças climáticas e as emissões de gases de efeito estufa de destruição da floresta.

TUNZA: Quais os progressos existem até o momento? E que países estão trabalhando com vocês?
ES: O Brasil tem feito grandes progressos na redução do desmatamento na Amazônia, cerca de 70% nos últimos sete anos. As contribuições da Noruega estão empregadas através do Fundo da Amazônia e são dedicados a projetos que continuem reduzindo o desmatamento. A Indonésia, República Democrática do Congo e Guiana também estão fazendo progresso. Ademais, 30 países trabalham para proteger as florestas tropicais, com o apoio da ONU e do Banco Mundial.

TUNZA: Quais são os maiores obstáculos para a implementação do REDD?
ES: O maior obstáculo que enfrentamos é o dinheiro. A Noruega tem uma soma substancial, mas ainda é insuficiente. Por esta razão queremos que o REDD se torne parte do acordo internacional sobre alterações climáticas, com a exigência de que todos os países contribuam. O desafio é triplo: Os países em desenvolvimento deveriam ter a coragem de começar este trabalho antes de ser implementado o mecanismo internacional, já os países doadores também deveriam ter a coragem de investir antes que o programa entre em vigor, e tanto os países desenvolvidos e como os em desenvolvimento deveriam ter confiança uns nos outros, e acreditar que possam alcançar isto junto.
Outro desafio é ser capaz de verificar se as florestas estão realmente sendo preservadas. Para isso, temos de acompanhar de perto as florestas nos próximos anos. Felizmente, a humanidade tem agora satélites que tornam possíveis as observações das florestas quase em “tempo real”. Na Amazônia brasileira, a polícia utiliza estas imagens para localizar e prender os que destroem ilegalmente as florestas.

TUNZA: Como você vê o futuro do REDD+, e você está encorajado pelo o que está acontecendo?
ES: Eu estou muito otimista. As perspectivas de salvar as florestas tropicais do mundo nunca foram tão boas, apesar dos enormes desafios pela frente. O objetivo final é de que a proteção das florestas faça parte de um futuro acordo global sobre mudanças climáticas. Mas espero sinceramente que os países que possuam florestas tropicais obtenham sucesso na redução das emissões por desmatamento e degradação florestal, mesmo antes do acordo global ser negociado.

Para maiores informações: http://www.unep.org/pdf/op_sept_2011/EN/OP-2011-09-EN-FULLVERSION.pdf

*Tradução livre feita por Débora Gabriel Costa, estagiária do Instituto Brasil PNUMA, a partir do site do PNUMA.

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Na Linha de Frente




As terras áridas estão na linha de frente das mudanças climáticas, e incluem as pessoas mais pobres e vulneráveis do mundo. Nós já estamos presenciando os terríveis efeitos das mudanças climáticas sobre a pobreza, a sobrevivência, a saúde, a fome, bem-estar humano - e na paz, pois as terras áridas, fortemente impactadas, estão entre as partes mais instáveis do mundo. O trecho de Senegal até o Afeganistão é uma região de grande vulnerabilidade, pobreza e privação de necessidades básicas – alimentação, água, nutrição, acesso à saúde, cuidados veterinários, a segurança para as agricultura e pecuária. A instabilidade está aumentando em toda esta região: conflitos que são de cunho político extremista, ou conflitos políticos, muitas vezes têm em suas bases os desafios da desertificação, o aumento das secas, chuvas mais instáveis, instabilidade nas colheitas, e - em algumas regiões – a incapacidade de se cultivar de forma regrada por mais tempo. A fome atual no “Horn of Africa”, que deixou mais de dez milhões de pessoas lutando pela sobrevivência, é uma demonstração viva e angustiante dos perigos da desertificação e da instabilidade das terras áridas. A partir dos meados do século XX a população aumentou quatro vezes ou mais nestas regiões. As mudanças climáticas estão em confronto com a enorme pressão demográfica - um fenômeno extremamente ameaçador. E ainda, estas questões não estão recebendo sua devida importância em relação à política global e sua resposta exigida. As nossas abordagens padrão em segurança não entendem que por trás das manifestações de violência reside um perigo muito maior e ameaçador- o de risco ecológico das alterações climáticas, as pressões demográficas, e muitas outras pressões. O envolvimento militar não está funcionando, pois questões como a fome, a sobrevivência do gado, e o aumento das tensões entre as populações sedentárias e os criadores de gado nômades ou semi-nômades não podem ser abordadas desta forma

Ainda não vimos uma abordagem consistente e persistente baseada na ciência destes desafios, porque os recursos e atenção política não têm sido dedicados a eles. Precisamos de vários tipos diferentes de respostas. A primeira é científica. Nós não temos uma compreensão verdadeiramente profunda de como as mudanças globais e regionais estão realmente afetando o clima do Sahel, do “Horn of Africa”, no Ocidente e na Ásia Central. Uma prioridade é um completo relato detalhado de como as regiões áridas estão se comportando frente aos sinais do clima global. Precisamos de modelos em menor escala e melhores evidências sobre o que os grandes modelos estão dizendo a respeito das ameaças do futuro para estas regiões. E precisamos compilar os dados de estações meteorológicas para desenvolvermos um relato detalhado e completo do clima nos últimos 30 anos. Para, por fim, criar não apenas uma linha de base para o futuro, mas uma base muito mais rica que nos permita tentar atribuir às mudanças observadas.

Em segundo lugar, existem grandes lacunas no nosso conhecimento da adaptação - ou a falta de adaptação – de sistemas humanos. O que realmente aconteceu com as populações do Sahel desde a seca extrema na década de 1970? Houve alguma recuperação, mas foi significativa? O que a população nômade ou semi-nômade está fazendo? Podemos obter muito mais dados sistemáticos? É claro que o Secretariado da Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas reúne um acervo de informações e, principalmente, ajuda a divulgá-las à comunidade científica e em desenvolvimento. Mas há muito mais trabalho a se fazer a fim de obter verificações no local em tempo real dessas mudanças, para uso de sensoriamento remoto de forma mais sistemática. Podendo assim, medir flutuações de pecuaristas, gados e bens compreendendo suas vulnerabilidades, e analisar como as pressões demográficas estão afetando essas comunidades. As taxas de fecundidade total permanecem em seis a oito filhos por mulher em muitos locais.

Um desastre demográfico parece estar a caminho, como resultado de uma sobrecarga enorme sobre um ecossistema já sobrecarregado e frágil, que tende a se tornar mais tenso no futuro. O planejamento familiar e os serviços de meios contraceptivos precisam ser postos em prática para mitigar o choque entre as populações em expansão e do clima futuro. O terceiro elemento é, naturalmente, as medidas de intervenção que são extremamente necessárias para a adaptação às mudanças climáticas. Estes variam de preparação emergencial com outros tipos de estratégias de mitigação de risco como, por exemplo, a criação de seguros financeiros, diversificação das atividades econômicas, ou o estabelecimento de alternativas de manejo da paisagem e de armazenamento de água.Comunidades pobres que enfrentam uma multiplicidade de choques e desafios precisam de uma abordagem holística. O Projeto Aldeias do Milênio ajudou a pioneira dessa abordagem nas terras áridas, Dertu, Quênia, perto da fronteira com a Somália. Sua estratégia integrada enfoca cinco áreas-chave. O primeiro aspecto é todo o complexo de gado e plantações. Segundo é o sistema de saúde, que é afetado por problemas relacionados com o clima extremo, assim como os grandes desafios com epidemias de malária, febre “Rip Valley”, peste bovina, ou outras doenças endêmicas. O terceiro é a educação: como empobrecidas comunidades das terras áridas estão seguras de que as próximas gerações terão habilidades e conhecimentos para enfrentar os desafios crescentes que virão? O quarto, criticamente, é infra-estrutura, começando com a água - irrigação abrangente, armazenamento e segurança em caso de seca - mas também incluindo o transporte, o armazenamento, a capacidade de ligar as comunidades locais com os mercados regional e internacional, e a integração aos meios de comunicação que poderá ser uma ferramenta muito poderosa para essas populações das terras áridas, em sua maioria muito dispersas. E a quinta área é o desenvolvimento de negócios, especialmente em torno do gado e outras áreas onde o aumento do valor agregado poderia trazer grande melhoria do bem-estar para as comunidades. Em 2008, o Comitê de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento da Suécia lançou um relatório sobre mudanças climáticas e terras áridas recomendando como construir a resiliência (capacidade de lidar e superar os problemas), adaptabilidade, a preparação para emergências, e estratégias de mitigação de risco. Ele propôs a existência de projetos pilotos baseado em comunidade em adaptação com as comunidades pobres e vulneráveis, de áreas urbanas e rurais, em terras áridas. Três anos se passaram e o projeto está começando a tomar forma com Etiópia, Somália, Quénia, Uganda, Djibouti, Sudão e do Sul que se uniram na iniciativa das Terras Áridas. Eles irão trabalhar de forma a utilizar as melhores práticas e tecnologias de ponta para apoiar suas comunidades pastoris no esforço para escapar da pobreza extrema e da fome, apoiado pelos parceiros, Ericsson, Airtel, Novartis, “Sumitomo Chemical, Co Ltda”, e o Banco Islâmico de Desenvolvimento.

Há uma necessidade urgente de uma compreensão integral em respostas baseadas na comunidade - que são cientificamente fundamentadas em saúde educação e o contato com os mercados assim como armazenamento de água e outras infra-estruturas como a melhoria e a sobrevivência dos rebanhos. Isto é de fundamental e de suma importância, não só para o bem-estar dessas comunidades, mas para resolver o que de outra forma será uma epidemia crescente de conflitos violentos.

Para maiores informações: http://www.unep.org/pdf/op_sept_2011/EN/OP-2011-09-EN-FULLVERSION.pdf

*Tradução livre feita por Débora Gabriel Costa estagiária do Instituto Brasil PNUMA, a partir do site do PNUMA.

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