segunda-feira, 13 de julho de 2009
 

O G8 perdeu uma oportunidade, apesar do consenso dos 2 graus


10/07/09

GLOBAL - A reunião do G8 em L'Aquila deixou uma sensação de uma oportunidade perdida em relação as mudanças climáticas, a somente cinco meses de um acordo esperado em Copenhague, pela falta de compromissos a médio prazo e aos progressos realizados em relação a redução de emissões para o ano de 2050.

Reconhecendo os trabalhos cada vez mais alarmantes dos cientistas, os líderes de oito países industrializados aprovaram um limite de 2° C como limite máximo de aquecimento, e para respeitá-lo, aceitaram aspirar um descenso da metade das emissões mundiais de gases que provocam o efeito estufa de atualmente até 2050 e em 80% ou mais para os países industrializados.

Se trata de “um consenso histórico”, segundo o presidente Barack Obama. Seu entusiasmo se verifica na medida que o compromisso dos Estados Unidos permitiu convencer o Japão, Canadá e Rússia, que nunca haviam acordado tal objetivo.

Obama presidiu o fórum paralelo das principais economias sobre o clima e energia (MEF, que reuniu 16 países , incluindo o G8 e os principais mercados emergentes, o que representa cerca de 80% das emissões mundiais), que também apoiou os 2° C.

Isso está gravado em pedra”, disse o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso. De fato, a União Européia e outros países já haviam acordado a medida.
Entretanto, na opinião do secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon “os resultados do G8 não são suficientes”.

“O que necessitamos é um objetivo a médio prazo que nos garantisse que vamos por um bom caminho para alcançar os objetivos de 2050”, afirmou. Os líderes do G8 “tiveram uma oportunidade única que poderia não voltar a ocorrer”.
Essa falta de compromisso em um futuro próximo foi mal recebida pelas principais economias emergentes, como o Brasil.

“Não podemos aceitar o objetivo de 2050 sem um forte compromisso a médio prazo”, disse o chefe brasileiro sobre a negociação do clima, Luiz Alberto Figueiredo Machado, para qual se trata de uma questão de “credibilidade” para os países ricos.

Essa é a razão pela qual os países em desenvolvimento do MEF, entre eles a China, agora o maior emissor mundial de CO2, renunciou a apoiar um objetivo de redução das emissões de 50% em 2050.

Para Barack Obama, entretanto, os grandes países em desenvolvimento também deverão desempenhar um papel importante no próximo acordo sobre o clima.

“Visto que as projeções representam para os países emergentes a maior parte das emissões no futuro, a participação ativa é a condição prévia para uma solução”, advertiu.

Também anunciou que os minsitros do G8 deverão fazer propostas sobre o financiamento na luta contra o aquecimento global, na cúpula do G20 que se realizará em setembro nos Estados Unidos.

“Temos que ajudar os países mais afetados a se adaptarem e, em particular, aqueles que são menos capazes de fazerem por falta de recursos”, disse.

“Além disso, tratamos de proporcionar um apoio financeiro importante”, prometeu, afirmando desse modo a falta de uma declaração do G8 sobre este tema crucial para os países em desenvolvimento.

“A falta de objetivos em cifras na declaração do MEF mostra que os países em desenvolvimento não confiam nos países industrializados”, disse Alden Meyer, diretor da União de Cientistas Preocupados, uma ONG norte-americana.

“A cúpula do G20 é a última antes de Copenhague. Se esta reunião facilitar um progresso na questão do fincanciamento, mudará tudo”, acrescentou.

Ban Ki-Moon, que “se nega a considerar a possibilidade de um fracasso em Copenhague”, aposta que a cúpula do clima que ocorrerá em setembro, em Nova York, realizará novos compromissos para os países industrializados.

Fonte:http://es.noticias.yahoo.com/3/20090710/tenvirom-las-principales-economias-del-mundo-c80110a.html

*Tradução livre feita por Flavia Speiski dos Santos, estagiária do Instituto Brasil PNUMA, a partir de artigo retirado do site do Escritório Central do PNUMA para a América Latina.

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